Abril Marrom: O mês da prevenção à cegueira alerta para números alarmantes no Brasil

A campanha Abril Marrom , criada em 2016 pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia, ganha força em 2025 como iniciativa nacional de conscientização sobre doenças oculares que podem levar à cegueira. A cor marrom foi escolhida em homenagem à cor da íris da maioria dos brasileiros, e o mês de abril remete ao nascimento de José Álvares de Azevedo (8 de abril de 1834), considerado o patrono da educação de cegos no Brasil e responsável por introduzir o sistema Braille no país em 1850.

 

 

De acordo com dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 285 milhões de pessoas no mundo têm a visão prejudicada, das quais aproximadamente 36 milhões são cegas. O dado mais alarmante revelado por especialistas é que entre 60% e 80% dos casos de cegueira poderiam ser evitados com diagnóstico precoce e tratamento adequado.

 

 

No Brasil , os números são igualmente preocupantes. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em sua Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, cerca de 6,9 milhões de brasileiros apresentam deficiência visual grave, sendo que aproximadamente 500 mil têm perda total da visão e 6,4 milhões possuem grande dificuldade para enxergar, mesmo com o uso de óculos ou lentes.

 

 

Em Santa Catarina, a * Sociedade Catarinense de Oftalmologia (SCO)* tem intensificado suas ações de conscientização durante o Abril Marrom. *O Dr. Ayrton Ramos, presidente da entidade*, destaca: “Grande parte dos casos de cegueira são evitáveis ou tratáveis se detectados precocemente. É essencial reforçarmos as ações educativas e preventivas, pois muitos pacientes chegam ao consultório já com danos significativos na visão”.

 

 

O presidente da SCO ressalta que doenças como glaucoma, catarata, degeneração macular e retinopatia diabética estão entre as principais causas de perda visual no estado. “Uma preocupação particular é o glaucoma, que danifica o nervo óptico de forma silenciosa. Quando os sintomas aparecem, o dano muitas vezes já é irreversível. Por isso a importância das consultas periódicas”, enfatiza o Dr. Ayrton Ramos.

 

Envelhecimento populacional: Um novo desafio para a saúde ocular brasileira

 

 

 

Um dado particularmente preocupante é o impacto do envelhecimento populacional na saúde ocular. Segundo projeções do IBGE, em 2031, o número de idosos no Brasil (43,2 milhões) vai superar pela primeira vez o número de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos (42,3 milhões). Considerando que a prevalência de problemas visuais aumenta significativamente com a idade, esse cenário demográfico representa um grande desafio para a saúde pública no país.

 

 

As estatísticas mostram que a incidência de cegueira cresce em função da idade, sendo 15 a 30 vezes maior em pessoas com mais de 80 anos do que na população com até 40 anos. A catarata aparece como a principal causa de cegueira no país, respondendo por aproximadamente 50% dos casos, seguida pelo glaucoma, considerada a segunda maior causa de cegueira no mundo.

 

 

“Um dos fatores que mais precisamos levar em conta é o envelhecimento da população, que é uma realidade em todo o mundo. A idade é um dos principais fatores de risco para doenças como catarata, glaucoma, degeneração macular relacionada à idade e retinopatia diabética. Juntas, estas doenças representam quase a totalidade das causas de cegueira em adultos em todo o mundo”, alerta o presidente.

 

 

O último relatório da OMS sobre saúde ocular aponta que são mais de 76 milhões de pessoas convivendo com o glaucoma, 146 milhões com retinopatia diabética e 196 milhões com degeneração macular relacionada à idade . Essas doenças apresentam aumento específico com o envelhecimento populacional, com previsões que até 2030, os números crescerão para 96 milhões com glaucoma e 243 milhões com degeneração macular.

 

 

A Sociedade Catarinense de Oftalmologia recomenda consultas oftalmológicas anuais para a população em geral e semestrais para grupos de risco, como diabéticos, hipertensos e pessoas acima de 60 anos. Além disso, o controle de doenças sistêmicas como diabetes e hipertensão é fundamental, já que podem desencadear complicações graves na visão.

 

 

“Cuidar da saúde dos olhos é garantir mais independência, qualidade de vida e bem-estar. Um acompanhamento multidisciplinar, especialmente na fase adulta e idosa, é essencial para manter a funcionalidade e prevenir problemas visuais irreversíveis”, conclui o Dr.

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